©2017 Direitos reservados para Primeiro Andar. Todas as fotos, salvo indicação em contrário, são de autoria de Gil Carlos Volpato. Desenvolvido por aGenteCV [laboratório de criação]. Criado com Wix.com.

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Diga-me com quem andas



Sempre me disseram que se você quer realmente conhecer uma pessoa deve viajar com ela. A empolgação da viagem, a expectativa, o cansaço físico, as frustrações dos atrasos, os portões fechados do parque, as noites mal dormidas, a quebra da rotina, a saudade de casa, os diferentes fusos horários e mais uma infinidade de variáveis afetam nosso humor para cima e para baixo durante o tempo que passamos fora de casa e podem fazer com que pequenas intrigas surjam entre os companheiros de passeio. Além disso, claro, tem os interesses, os desejos, os sonhos, as manias, os mimos, as teimosias, as diferenças de criação e as demais características de personalidade daqueles que viajam juntos engrossando esse caldo e fazendo com que a viagem seja muito boa para todos ou tornando-a um verdadeiro inferno. Ao escolher seus companheiros de viagem procure aqueles com quem você tem grande afinidade, interesses em comum, filosofias de vida parecidas. A viagem pode se tornar decepcionante se um quer ir à todas as baladas e o outro quer visitar todos os museus, ou se um quer passar os dias dentro dos shoppings enquanto o outro prefere passeios ao ar livre. A condição financeira mais ou menos parecida também pode ser um fator importante na hora de aceitar um convite de viagem. Alguém pode ficar constrangido por não ter condições de ir àquele restaurante caríssimo e alguém pode ficar enjoado se todas as refeições forem à base de sanduíche. Pior, é de repente no meio da viagem você descobrir que o outro tem aquela maniazinha de sumir pro banheiro sempre que a conta chega! Até o nível cultural tem impacto nas escolhas que são feitas durante uma viagem e você que sonhou a vida toda em ir para a Grécia não quer ouvir seus companheiros de viagem dizerem que não querem ir até o Partenon porque “é só um monte de pedra velha!”. Equilíbrio e bom senso em tudo. Essa é a receita para uma viagem de sucesso quanto se está acompanhado. Seja gentil e aceite algumas das propostas que seus amigos fizerem, vá com eles até o Intrepid, aquele navio de guerra que eles tanto querem ver, ou antecipe-se e conduza-os sem que eles percebam até aquela loja de bikes famosa se você sabe que eles são ciclistas, por exemplo. Pesquise um pouquinho antes e introduza elementos de interesse deles na viagem, como gastronomia, arquitetura, compras e outros. Mas também faça-se ser ouvido e acompanhado quando quiser ir até o oceanário que eles não curtem muito. Ou, para o bem de todos, combinem de antemão uma regrinha simples: quem quer vai, que quer fica! Pode ser que alguém queira abrir mão de um passeio para dormir um pouquinho mais, organizar as malas ou coisa parecida. Respeite isso. Estando acompanhado num quarto durante uma viagem, sempre que possível crie alguma distância para que os outros tenham um pouco de privacidade. Um bom exemplo disso é acordar um pouquinho mais cedo, utilizar o banheiro enquanto os outros ainda dormem e depois esperá-los na área comum do hotel, hostel ou pousada. Com isso, eles terão o quarto e o banheiro só para si quando acordarem e isso lhes dará um pouco liberdade, o que é importante. Lembre que, a menos que vocês estejam visitando um campo minado, vocês não tem que andar juntos o tempo todo em todos os lugares. Mesmo que a viagem seja romântica, todo mundo precisa de um pouquinho de ar. Se for uma viagem entre um grupo de amigos, esses momentos de ar fresco devem ser um pouquinho mais demorados. No Caminho de Santiago de Compostela, onde uns caminham mais rápido e outros mais devagar, é comum as pessoas se afastarem e se desencontrarem durante uma manhã, uma tarde, ou um dia inteiro. Nada anormal! Na verdade isso permite que cada um viva sua individualidade de forma mais intensa até que todos se reencontrem na próxima vila ou albergue para trocar suas experiências. Viajar sozinho é bom, assim como é muito bom ter alguém com quem dividir aquele momento espetacular. Deixar claro antecipadamente quais são os objetivos, as expectativas e as necessidades de cada um durante a próxima viagem faz com que ela tenha tudo para dar certo. Já viajei com mochilas e com alguns malas, já fui eu o mala também, mas felizmente eu tenho quase sempre viajado com pessoas incríveis. Uma delas, Luciana, minha esposa. Querida, não incomoda, não reclama e não atrapalha. Se der macarons pra ela então, vira a melhor companhia do mundo. E, dona da pensão, sempre paga minhas viagens. A outra, Elisiane Grüdtner, prima da Lu, que aceita de bom grado entrar em frias junto com a gente. De nós três, eu sou o mais chato, mas elas me aturam porque sou bom de mapas e de histórias. Viajar acompanhado de pessoas proativas, positivas e bem-humoradas, capazes de improvisar em caso de necessidade e agir rápido em caso de emergência, pode facilitar muito a sua vida. Escolha bem quem você vai levar junto na sua próxima viagem. Uma boa companhia é tão importante quanto um bom destino. Na imagem, Elisiane Grüdtner (esquerda) e Luciana da Silva Böell (direita) chegam sorridentes à estação de trens de Madri Chamartín depois de terem vindo de Burgos à bordo de um dos ferrocarilles da Renfe. Fotografia: Gil Carlos Volpato, 01 de abril de 2017, em Madri, Espanha.

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