©2017 Direitos reservados para Primeiro Andar. Todas as fotos, salvo indicação em contrário, são de autoria de Gil Carlos Volpato. Desenvolvido por aGenteCV [laboratório de criação]. Criado com Wix.com.

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A saudade, hoje.



Hoje é um daqueles dias em que não estou com vontade de escrever. Nem de trabalhar. Nem de levantar da cama. Mas sou obrigado a fazer isso. Me levantei, estou trabalhando e escrevendo enquanto aguardo ser atendido. Eu queria apenas caminhar. Queria estar caminhando, sem pressa, sem hora pra chegar. Queria passar por mil pequenas vilas espanholas, queria parar na pracinha para tomar água e lavar o rosto, queria entrar num bar e pedir uma tortilla, queria tomar um Cola Cao e comer tostadas, queria acenar para alguém e ouvir um Buén Camino! em troca. Eu queria muito, mas muito mesmo, atravessar um campo de feno e me sentar numa pedra pra ouvir o nada e ver o tudo. Eu queria estar lá, porque hoje é um daqueles dias em que mais saudades eu sinto do Caminho. Não é só preguiça num dia de inverno e nem pura frustração com as pessoas e as coisas. É saudade genuína e pura. É uma crise de abstinência! Se você já foi para o Caminho de Santiago de Compostela sabe exatamente do que eu estou falando. Mesmo que você tenha odiado cada minuto em que esteve lá, mesmo que cada passo seu tenha sido dolorido (foi de tênis, né?!) você provavelmente sente um pouquinho de saudade ou tem um forte desejo de voltar. É como um vício! Se você pretende ir pela primeira vez, é possível que já esteja sentindo falta desses lugares que nunca viu. Não, o Caminho não é mágico, nem místico, nem santo. É apenas uma rota de comunicação de leste à oeste na Espanha, que serviu muito bem aos interesses comerciais da época da sua criação, que teve papel decisivo na ocupação da Europa pelos europeus e consequentemente na expulsão dos muçulmanos que começavam a chegar (Mata-Mouros, lembra?). Desculpe se isso te ofende, mas é a minha opinião pessoal. Mesmo sendo só (só?!) uma rota lindíssima em que se pode caminhar à vontade com segurança, tranquilidade e com o apoio de uma rede de albergues, pousadas, restaurantes e lanchonetes que permitem o merecido descanso e a adequada reposição das energias (estou falando de nutrição!), o Caminho atrai e fascina. E em alguns dias, como hoje, ele chama mais alto, grita por mim, e a atração é maior ainda. Fotografia: Gil Carlos Volpato, 26 de março de 2017, em Cizur, Espanha.

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